Coração

Berlim

Não estive em Berlim anteontem, quando se assinalaram os 25 anos da queda do muro e se lançaram ao ar os oito mil balões luminosos, não vim fazer um post comemorativo do primeiro aniversário em que me juntei ao wordpress (até porque nem repararia, recebi um aviso) e não tenho fotografias boas para mostrar. Mas estive em Berlim e apetece-me contar ao mundo, mesmo com um mês de atraso, que aprendi a gostar do Outono no Tiergarten, com os seus lagos e esquilos de cauda em vison; vi a mesma estátua que o Wim Wenders (ah, o Wim Wenders) filmou no Wings of Desire com os meus próprios olhos; aprendi a orientar-me na cidade através da Television Tower e da sua antena inspirada no Sputnik; vi como se vivia na Alemanha Oriental – e o que eram jeans de Leste – no DDR Museum; perdi-me na loja-café da Gestalten, com vista para o Zoo; enchi o iPhone de fotografias de arte urbana no Haus Schwarzenberg (e um pouco por todo o lado); comi muito e comi bem por pouco dinheiro; toquei no que resta do muro debaixo de um céu que resolveu chover tudo de uma vez; quis abrir um hotel como o Michelberger, com o seu néon de boas vindas, as caixas de correio às cores e a comida vegan; e desejei ter mais 15 centímetros de altura, como as alemãs de gabardine e Air Force 1 que vi por todo o lado.

Não cresci em metros mas alarguei os horizontes, e por isso obrigada, Berlim.

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Coração

2450 quilómetros depois

Concretizei o velho sonho de fazer a costa basca de carro e de caminho ir ao Guggenheim de Bilbau. Vi as casinhas na encosta do Monte Urgull, em San Sebastian, e os casarões às risquinhas à beira do lago, em Hossegor. Fiquei sem fôlego de subir às montanhas sobre a praia mas também de ver os surfistas apanharem ondas encostados ao paredão de Ondarreta, sempre à espera que se raspassem todos na pedra, o que não aconteceu. Bebi sidra em tabernas barulhentas e disse “eskerrik asko” para agradecer. Comi pintxos e paninis, sangria e gaufres, antes de pagar 3,80€ por uma Coca-Cola em Biarritz. Vi os bunkers da Segunda Guerra Mundial espalhados pela Praia de La Piste, em Capbreton, monstros para proteger das bombas que o mar transformou numa espécie de rochedos, metade enterrados, metade cobertos por graffitis, uma daquelas coisas que nunca mais se esquece. Fiz quase 2500 quilómetros de carro, passei duas fronteiras num dia, túneis e túneis de quilómetros a atravessarem as montanhas por dentro e já estou aqui secretamente a desejar que o “agur” (adeus, em euskara) dito a San Sebastian seja na verdade um até já.

San Sebastian

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Fotografias de Jorge Vieira.

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