Fotografia

Capa in color

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Não me lembro bem, mas acho que a primeira vez que ouvi falar no Robert Capa foi num artigo sobre o desembarque da Normandia, durante a Segunda Guerra Mundial. O fotógrafo de 30 anos que foi o único a seguir com os primeiros soldados rumo à praia francesa, e que contou depois no livro de memórias como sentiu nessa altura uma nova espécie de medo, um medo que o fazia tremer dos pés à cabeça mesmo sendo preciso avançar e recarregar a máquina com as mãos, e que o fazia ir repetindo no meio das bombas e dos tiros uma frase que tinha aprendido durante a Guerra Civil espanhola, “es una cosa muy seria”. Ou então li sobre o desembarque da Normandia já por causa dele, o autor das fotografias mais fiéis e conhecidas do dia, mesmo que só se tenham salvado 11 de um total de 145 (134 foram destruídas já em Londres por um assistente demasiado ansioso que estragou os negativos). Seja como for, sempre associei o Capa às fotografias de guerra e a preto e branco, a mais famosa delas aquela que capta o momento em que um soldado republicano morre em Cerro Muriano (que até me havia de dar o tema para um trabalho na faculdade). Mas 60 anos depois da morte do húngaro – que já não regressou de mais uma guerra e morreu no Vietname ao pisar uma mina –, não é nada disso que está na exposição “Capa in color”, no International Center of Photography (ICP), em Nova Iorque, até 4 de Maio. Está, como o nome diz, a primeira exposição a cores do fotógrafo que fundou a agência Magnum, com uma selecção de cerca de 100 imagens tiradas desde os anos 40 até 1954. Estão estrelas de cinema, resorts na neve, vestidos Dior, circos ambulantes e momentos de lazer dos soldados como o combate de boxe a que assistem ingleses e americanos em pleno mar, no Verão de 1943. Vale a pena perder tempo a ver a colecção do ICP de uma ponta a outra enquanto alguém não traz – por favor – a exposição para Lisboa.

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Fotografia

A praia vista do céu

No outro dia recebi um desenho de presente e percebi que já quase não tenho paredes para pendurar quadros, entre prints de street artists, fotografias do meu querido William Klein e posters de cinema. Uma das poucas excepções continua a ser a parede por trás da cama, e tudo porque sei que, na impossibilidade de ter esta fotografia do Richard Misrach (gigantesca, maior do que a própria cama, que vi numa exposição da colecção do BESart),

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gostava ao menos de apanhar boleia de um helicóptero com uma boa máquina (ou um bom fotógrafo) e fazer uma versão personalizada. O problema é que, como é óbvio, isso também anda difícil. Por isso, e no momento em que o fim-de-semana promete que a única coisa que pode vir do céu é pedra – e muita água –, deixem-me sonhar com algumas das imagens de outro amante das praias vistas das alturas, Gray Malin. Na série “À La Plage, À La Piscine”, o fotógrafo (novinho novinho, nasceu em 1986) tem corrido mundo com a câmara quase sempre apontada à costa.

Isto é Sidney:

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Isto é Miami:

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Isto é Santa Monica:

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E isto, adivinhem… é Lisboa:

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