Tronco e membros

As mantas contra-atacam I

manta neon

No ano passado deram um ar da sua graça, neste Inverno provam que não são acessórios para tomar chá mas sim para pôr ao pescoço. Tirem as mantas do sofá e levem-nas para a rua. Depois de uma breve iniciação no Inverno de 2013, eu estou rendida aos metros e metros de tecido em cima dos ombros, de tal forma que olho para os outros cachecóis e parecerem-me fios de esparguete.

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Fotografias de Jorge Vieira.

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Ilustração, Livros

Um speicher* de Berlim

AlphabeticsVi este volume e velozmente verifiquei a vivacidade vocabular, vasculhando voluntariamente a carteira à procura do visa enquanto a vista voava pelas vinhetas vintage. Porque sim, sempre gostei de aliterações, e este livro editado pela Little Gestalten é precisamente isso: “an aesthetically awesome alliterated alphabet anthology” onde cada letra do alfabeto corresponde a um pequeno texto em que quase todas as palavras começam pela mesma letra. Do astronauta altruísta Atticus que está num abismo anti-gravidade, à zombie Zooey que vê Zeppelins aos zig-zags em Zurique, Alphabetics é um exercício estimulante em torno da linguagem que mostra que ainda há coisas para inventar nos livros de abecedários para miúdos. Os textos têm graça porque dão azo a cenários surreais como um esquimó excêntrico que embarca numa expedição ao Evereste em cima de um elefante, e as ilustrações de Dawid Ryski dão um toque retro a tudo que se vê logo na capa – onde está representado o colossal Cornelius com a sua câmara clássica Contaflex – mas continua por cada uma das 26 letras.

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No fim, ainda há um glossário que explica o que são Zeppelins e uma série de outras palavras.

*esta explico eu e é mesmo souvenir, em alemão.

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Cassiopeia
Coração

Berlim

Não estive em Berlim anteontem, quando se assinalaram os 25 anos da queda do muro e se lançaram ao ar os oito mil balões luminosos, não vim fazer um post comemorativo do primeiro aniversário em que me juntei ao wordpress (até porque nem repararia, recebi um aviso) e não tenho fotografias boas para mostrar. Mas estive em Berlim e apetece-me contar ao mundo, mesmo com um mês de atraso, que aprendi a gostar do Outono no Tiergarten, com os seus lagos e esquilos de cauda em vison; vi a mesma estátua que o Wim Wenders (ah, o Wim Wenders) filmou no Wings of Desire com os meus próprios olhos; aprendi a orientar-me na cidade através da Television Tower e da sua antena inspirada no Sputnik; vi como se vivia na Alemanha Oriental – e o que eram jeans de Leste – no DDR Museum; perdi-me na loja-café da Gestalten, com vista para o Zoo; enchi o iPhone de fotografias de arte urbana no Haus Schwarzenberg (e um pouco por todo o lado); comi muito e comi bem por pouco dinheiro; toquei no que resta do muro debaixo de um céu que resolveu chover tudo de uma vez; quis abrir um hotel como o Michelberger, com o seu néon de boas vindas, as caixas de correio às cores e a comida vegan; e desejei ter mais 15 centímetros de altura, como as alemãs de gabardine e Air Force 1 que vi por todo o lado.

Não cresci em metros mas alarguei os horizontes, e por isso obrigada, Berlim.

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